A vida cristã não é um passeio, mas um combate. São Paulo, ao exortar os colossenses a se revestirem de “misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência” (Cl 3,12), indica a necessidade de se preparar para esse combate espiritual como um soldado que se arma antes da batalha. O apóstolo não fala em termos sentimentais, mas em termos de disciplina e fortaleza: revestir-se significa assumir, de modo consciente e constante, a disposição interior que protege a alma contra os ataques do pecado e do demônio.
Cada virtude aí mencionada tem papel estratégico no campo de batalha. A misericórdia vence a dureza do coração e destrói o rancor; a bondade desarma o egoísmo e abre caminho para o bem; a humildade torna o homem invulnerável à soberba, raiz de todos os pecados; a mansidão freia a violência e orienta a força para o serviço de Deus; e a paciência, por fim, dá a perseverança necessária ao guerreiro que não pode abandonar o campo antes da vitória.
É com estas armas que o cristão está apto a repetir, ao final da vida, as palavras de São Paulo a Timóteo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7). O combate só pode ser considerado bom quando é travado com as armas de Cristo, e não com as do mundo. Completar a corrida não significa apenas começar bem, mas perseverar até o fim. E guardar a fé é a maior das vitórias, pois nela está contida a coroa da vida eterna.
Assim, a exortação apostólica não é mera recomendação piedosa, mas ordem militar: revesti-vos! O inimigo é real, o combate é árduo, mas a recompensa é eterna. O cristão que se veste das virtudes e luta com constância alcançará a vitória, não por suas próprias forças, mas pela graça de Cristo que nele opera. Revestir-se e combater são, pois, duas faces de uma mesma missão: preparar-se e perseverar, até que a coroa da justiça seja entregue pelo justo Juiz.
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