No caítulo 22 do evangelho de S. Mateus (Mt 22,1-14) nos é apresentado a parábola do banquete de casamento do Filho do Rei. Esta imagem, tão rica e sugestiva, contém ao menos dois sentidos principais: o escatológico e o sacramental.
1. O Sentido Escatológico – o Reino dos Céus
O Rei é o Pai eterno; o Filho é Cristo, o Esposo da Igreja. O convite ao banquete é o chamado universal à salvação. Primeiro, Israel foi convidado; porém, muitos rejeitaram e até perseguiram os enviados. Então, o convite se estende a todos os povos, bons e maus, reunidos nas encruzilhadas da história.
O banquete, portanto, é imagem do Reino dos Céus: a comunhão plena e eterna com Deus, quando Cristo entregará a Igreja, purificada, como Esposa ao Pai. Quem entrar sem a veste nupcial – isto é, sem a graça santificante e a caridade – será lançado fora. Não basta ser “chamado”; é necessário ser transformado pela graça.
2. O Sentido Sacramental – a Santa Missa
Mas esta parábola não se refere apenas ao fim último. Já na terra, o convite ao banquete se concretiza na Santa Missa. Nela, o Pai nos oferece o seu Filho, imolado e presente sacramentalmente sob as espécies do pão e do vinho. É o banquete das núpcias do Cordeiro, antecipado de modo real, embora velado.
Participar da Missa é, pois, entrar no banquete. Contudo, também aqui vale a advertência: não basta estar presente exteriormente; é preciso entrar com o traje de bodas, isto é, com a alma em estado de graça e com a devida devoção. Quem se aproxima indignamente profana a festa e se expõe ao juízo.
Assim, a parábola aponta em duas direções que se iluminam mutuamente:
O céu, como banquete eterno da união com Deus.
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A Missa, como antecipação sacramental dessa festa, já oferecida a nós hoje.
A Missa é, portanto, ao mesmo tempo convite e preparação: nela o homem se reveste do traje nupcial, se alimenta de Cristo, e se dispõe para entrar um dia nas bodas eternas do Cordeiro.
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